#TBT: Há um ano surgia a GIZ, a revista que subverteu as regras do mercado e provou que há espaço e audiência para novos formatos de publicação

Com show-explosivo de Ney Matogrosso no Memorial da América Latina, nasceu o art book mais desejado – e comentado – dos últimos tempos

  • 21 setembro 2017

Parece que foi ontem – e foi mesmo. Exatamente um ano atrás, no dia 20 de setembro de 2016, GIZ aterrissou no mercado de um jeito tão apoteótico (e assustador) que tirara o sono da nossa equipe muitas noites antes. Revista pronta, às custas de muito sangue, suor e lágrimas, o que começou com uma brincadeira com alguns amigos artistas dizendo “Vem aí GIZ”, acabou virando uma campanha de marketing colossal, inédita e quase espontânea, que abarcou desde os pontos cardeais do nosso mercado (de Marcio Kogan a Arthur Casas, de Sig Bergamin a João Armentano) até os mais poderosos digital influencers do planeta fama – tipo Ivete Sangalo, Xuxa, Anitta, Alice Braga, Cauã Reymond e por aí vai.

Daí veio o tal evento megalomaníaco – também sem precedentes em nosso mercado – para mais de 3 mil pessoas no Foyer do legendário Auditório Simón Bolívar, no Memorial da América Latina com espetáculo de uma das principais estrelas da MPB.

Mas como em todo e qualquer jardim, nem tudo são flores – e nem todos os gatos são pardos –, muito aquém das nossas expectativas (e compromissos loroteiros de investimentos) estruturais, a revista acabou sendo 75% forjada na minha casa e 25% no escritório de advocacia do queridíssimo Daniel Aniceto, cunhado da publisher e diretora executiva de GIZ, Talita de Nardo.

Ainda que sem o back-up que condicionou a minha adesão neste projeto e com os esforços fundamentais da nossa brilhante equipe de conteúdo, quando dei por conta, quase tudo dependia de mim e, em alguns momentos, cheguei a pensar em sair correndo pela carga que ia se empilhando sobre a minha lombar, feito o encosto de uma falange inteira de exus. Um sufoco tão estrangulante (e insuportável) que quase fiz a passagem desta para uma melhor (fui parar no hospital algumas vezes, inclusive).

Esta odisseia absolutamente handmade, jamais teria sido vencida sem a ajuda dos geniais André Rodrigues, da Ana Paula de Assis, do Anderson Ballet, da Adriana Oliveira, da Giovanna Gheller e de todo o staff que compõe ou compôs nosso corpo desde aquela ocasião (eles sim, de fato, são os verdadeiros “musos” da GIZ). Mas a batata quente estava mesmo ardendo nas minhas mãos e eu ainda sinto as bolhas: desde a elaboração do projeto editorial, desenhado pela Mariana Ochs, a cada frase escrita, passando pelo conceito e raff de capa, à direção de cada foto (que acompanhei in loco, metade me descabelando, outra metade implorando – ou cobrando – favores de velhos amigos). Assim foi feito (queria ter uma história mais bonita para contar, juro!). No background da festança e da GIZ number one, enquanto minha sócia se encarregava das inúmeras burocracias administrativas, alvarás e afins, também coube a mim, solitariamente, além de toda criação, concepção, realização e operação criativa, a tarefa constrangedora e quase impossível (considerando o ano difícil), de trazer cada um dos nossos anunciantes, que, ainda sem um projeto tangível para apostar, investiram apenas e tão somente na minha marca pessoal naquele momento – incluindo a Deca, grande viabilizadora do nosso entrée que teve show de ninguém menos que Ney Matogrosso, nosso divo de outras encarnações.

12 meses se passaram e as edições seguintes de GIZ continuariam sendo feitas exatamente assim: 100% de inspiração e 20.000% de transpiração. Talvez seja esse o seu X-Factor, hoje na boca do povo, premiado, disputado nas bancas. A fórmula ainda é cerebral, autoral, handmade, a duras penas, boa parte na minha casa, outra parte num escritório diminuto na Faria Lima, comendo metade da minha alma e mordendo um naco da alma dos meus “gizers”.

Tenho orgulho de cada uma das edições assinadas por mim – ainda que parte substancial delas tenha sofrido sanções, mas sobrevivemos a todas e estamos preparados para continuar escrevendo o futuro com GIZ (ou com qualquer outra matéria-prima, já que, quem sabe escrever, escreve até com carvão, né? 🙂

Ao meu bravo e competente time, aos meus patrocinadores que continuam dizendo sim aos meus pedidos, mesmo em épocas de total contenção, minha eterna gratidão e devoção. Espero sempre ser merecedor.

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