No Norte da Califórnia, Faulkner Architects guiam soluções técnicas e estéticas a partir dos carvalhos nativos

Os elementos já presentes no local, além da incidência de luz e vento, foram essenciais para que a construção, além de uma identidade forte, rumasse para ter o menor impacto possível no ambiente

  • Fotos:Joe Fletcher
  • 11 janeiro 2018

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Painéis de vidro e aço corten aproximam esta residência das folhagens e dos carvalhos de Orinda, na região de Oakland Hills, na Califórnia, nos Estados Unidos. O pessoal do Faulkner Architects, porém, não guiou as escolhas do projeto em busca meramente de uma forte identidade estética: em parceria com o casal de moradores – que trabalha com transporte e combustíveis sustentáveis–, foram pensadas e desenvolvidas soluções que, de fato, seguissem uma ética ambiental além de mimetizar o volume com o entorno.

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A partir de profunda observação da paisagem, do clima, da cultura, e dos usos e padrões já existentes no local, a proposta alinhou sítio e casa ambos fenomenologicamente no design e, tecnologicamente, por meio de recursos e práticas sustentáveis.

Tecnicamente uma reforma, a nova construção se beneficia dos rastros da antiga casa como base para a elaboração da nova planta, térrea e com três dormitórios. Uma já existente lareira foi enroupada em concreto para servir de elemento estrutural principal de ancoragem da nova arquitetura, alocada diretamente sob a sombra dos antigos carvalhos em uma relação íntima com as árvores nativas, o que evitou a necessidade adicional de nivelamento e deixou a colina aberta e natural. “As grandes árvores já atuavam como um refúgio antes mesmo de construirmos qualquer coisa. São um material gratuito que se tornou parte da casa”, diz Greg Faulkner, um dos arquitetos responsáveis. A suíte principal e o escritório também foram concebidos visando a esta proximidade: são parte do nível do mezanino, que se conecta à colina e está suspenso junto ao living de dois andares (como se flutuasse).

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Essa textura natural se refletiu arquitetonicamente em uma paleta de materiais hiperminimalistas que inclui carvalho branco sem acabamento nas paredes, nos forros e no chão da casa. O ritmo das bordas interiores foi concebido como uma representação controlada do crescimento da árvore. Pisos de basalto, paredes de gesso branco e aço corten provêm um contraponto à madeira texturizada.

O fato de o aço corten ser também utilizado como uma “tela protetora” vai de encontro aos planos de casar práticas sustentáveis e ganhos experimentais, componente-chave do trabalho. O material propicia uma carcaça mais durável, é relativamente acessível e requer praticamente nenhuma manutenção. E Faulkner ainda vê além: “Essas massas enferrujadas de aço se renovam a cada vez que chove, assim como a paisagem”.

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Painéis deslizantes, desta vez de vidro, se destacam também na grande abertura de mais de 3,5 metros que permite a passagem do living ao jardim, uma parede retrátil que abre as barreiras entre o exterior e o interior. Na parede oposta, uma “barbatana” de aço corten se estende a 2,4 metros da estrutura, protegendo a casa do forte sol do verão do oeste. Aço perfurado faz sombra no deque, pedido por um dos clientes, e percorre o segundo andar, adjacente ao local de trabalho.

Largos panos com estruturas térmicas de alumínio tanto suavizam a divisão entre o que está fora e o que está dentro, quanto valorizam a iluminação dentro da casa por reter calor e refletir a captação solar, diminuindo os custos com energia em direção ao objetivo da sustentabilidade.

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Ainda nesse sentido, há algumas tecnologias e propostas boladas em conjunto com os moradores, como um aquecedor de água com bomba de calor, ou um sistema de coleta de água da chuva utilizado para banheiros e lavanderia, bem como o reaproveitamento de água “suja” na irrigação dos jardins. Um sistema fotovoltaico de 8.1kW provê energia, enquanto motores ECM e botões de variação de velocidade de temperatura são utilizados para limitar o uso da energia e controlar o aquecimento/resfriamento e um ventilador de recuperação de energia é utilizado para prover toda a casa com ar fresco.

Segundo a equipe, os sistemas mecânicos e elétricos, de forma geral, foram desenhados com 44,9% de melhoria, o que resulta em custos operacionais reduzidos, além de diminuição de impacto ambiental.

Faulkner Architects
faulknerarchitects.com