Revista Giz

03 Mai 2017 - Jul 2017

#3 | Água Viva

Ponte de fuga: Passadiços do Paiva, em Portugal, se alastram por quase 9 km de paisagens naturais

Produzidos pelo escritório de engenharia Trimetrica e idealizados pela Câmara Municipal de Arouca, os Passadiços do Paiva – como são chamados – juntam belezas naturais com arquitetura fina e limpa, que aproximam o homem, em um ponto turístico eleito como o mais inovador da Europa. E como diria Fernando Pessoa, grande gênio da língua: “Tudo vale a pena quando a alma não é pequena”. E, nesse caso são 8,7 km espalhados por um vale preservado e permeado por um rio que permite acesso em um trecho de praia fluvial

  • 18 julho 2017

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Em seus aproximadamente 92 mil quilômetros quadrados, Portugal abriga mais do que só vinho e bacalhau: o País é povoado por uma arquitetura deslumbrante e uma cultura riquíssima. E não importa onde você esteja, em seus quatro cantos encontrará uma natureza exuberante. Um desses destinos é Arouca – pequeno vilarejo com poder de município que fica na região metropolitana do Porto – dona de uma história antiga, a cidadezinha, muito conhecida também por sua produção caseira de castanhas e pão-de-ló, fica em meio a montanhas fenomenais que abrigam paisagens com ecossistemas completos e planaltos serranos que cobrem seus chãos com faunas e floras sazonais.

Desde muito cedo conquistava quem tinha a oportunidade de conhecê-la profundamente, como foi o caso do escritor português Alexandre Herculano (1810-1877) – um dos principais do Romantismo lusitano – que relata sua chegada a Arouca em uma frase que consegue resumir a cidade (mas não explicá-la): “Torneia-se o monte e começa-se a descida para o vale de Arouca. A encosta e o vale igualam em beleza a Sintra, e excedem-na em vastidão”.

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Entre relevos e topografias exuberantes, a cidade abriga um dos mais importantes rios da região, o Paiva, que desemboca em frente ao Castelo de Paiva. Esse curso d’água natural, classificado como Ponto de Interesse Comunitário, era proibido aos simples mortais por conta de sua localização impraticável – só acessível via rapel.

Mas tudo mudou após 2015, quando finalmente foram inaugurados os passadiços do Paiva.
Ao longo dos seus 8,7 km, as passarelas garantem um cenário maravilhoso de múltiplas espécies, habitats e ecossistemas. A intervenção é serpenteada por flora natural e percorre todo o caminho escoltada pelo rio Paiva, que garante ao visitante a possibilidade de desfrutar da praia fluvial do rio Vau – perfeita para um café ou um piquenique. O projeto foi idealizado pela Câmara Municipal local, em parceria com o escritório de engenharia Trimetrica, com o intuito de proporcionar ao visitante as melhores vistas e a possibilidade de se chegar a lugares aos quais seria impossível sem interferência na paisagem natural. E conseguiram: a edificação da obra recebeu uma única linha que transcorre a paisagem de ponta a ponta e se torna um corpo arquitetônico próprio inspirador que conecta o homem e a natureza.

O conceito simples interage com a paisagem existente e traz novas dinâmicas para o ambiente. O ponto é tão famoso que recentemente foi condecorado com a edição de 2016 do World Travel Awards – considerado o Oscar do turismo – que o definiu como projeto mais inovador da Europa. Atualmente, recebe cerca de 3.500 visitantes por dia. O sucesso do layout vai resultar em uma expansão para que a obra fique com um total de 12 km de puro catarse. Tudo vale a pena quando a escada não é pequena.

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Trimetrica
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