A jornalista e historiadora de arte Cynthia Garcia assina texto sobre apê de shape industrial localizado em Chicago

O layout do jovem chef tem tudo e mais um pouco para as delícias do dia a dia – e para aquelas ocasiões especiais que pedem grandes banquetes

  • 4 setembro 2017

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Assim como um dos orgulhos de Chicago é sua culinária, que tem o melhor hot dog do mundo, no home-sweet-home de Chelsea e Arthur Jackson tudo gira em torno dos prazeres da mesa. Até o nome do simpático English sheepdog, Pork Chops (literalmente “costeleta de porco” em inglês), sinaliza esse apego. Ele, chef do Bijan Bistrô, animado point que serve pratos 100% americanos até quatro da matina, sete dias da semana, em casa, adora experimentar receitas dos quatro cantos do planeta. Da área de publicações acadêmicas, ela também é diplomada em confeitaria, doce habilidade na qual mergulha quando larga o mundo editorial.

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É nesse caldeirão temperado à base de chaminés industriais, trigais intermináveis, multiplicidade étnica e vendavais cortantes que vivem esses jovens. Em 2006, o casal fez um ótimo negócio ao adquirir o imóvel de 93 metros quadrados no quarto andar de um prédio no Lower  Westside, no bairro de Pilsen, agora com os preços em alta. Fundada pela colônia eslava, hoje a região vive um renascimento alternativo, concentra várias tribos que curtem sua sucessão de grafites, brechós, galerias, mercadinhos, lojas, barzinhos e bons restaurantes baratos.

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Outros fatores determinantes na escolha do apê foram a luminosidade, a varanda e a vista para um ícone da arquitetura americana: a Willis Tower, antiga Sears Tower (1974). Com seus 108 andares distribuídos em 442 metros de altura, foi o prédio mais alto das Américas até ser batido pelo One World Trade Center, em Nova York, este ano. “Perguntei a Chelsea se ela não se importaria de cozinhar no banheiro e ela topou”, lembra ele da proposta que fez à companheira antes de pôr a antiga planta abaixo. O epicentro da reforma, a cozinha Bulthalp em aço polido, surgiu da junção do estar e da pequena cozinha original – o que sobrou virou a suíte.

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Para empreender a reforma, o chef se voltou ao aprendizado herdado do pai, um pedreiro especializado em assentamento de tijolos, profissão qualificada nos EUA. Nas reformas da casa da família, Mr. Jackson sênior convocava a ajuda dos filhos, a exemplo do pai, nos fins de semana – em vez do lazer, Arthur fazia um mutirão com os irmãos. Dava a eles pás e picaretas, e como estímulo hambúrguer e cerveja artesanal, outra das delícias típicas dessa metrópole a 470 quilômetros do Canadá. À maneira da arquitetura industrial, despido de acabamentos e paredes divisórias, o pequeno loft dos Jackson ganhou vida com os pontos de cor das pe- ças de bom design que eles vêm colecionando de antiquários do bairro, que contrastam com a presença do alumínio dos dutos e do concreto dos pilares. Percebe- -se que a casa de Arthur e Chelsea segue à risca a teoria “menos é mais“ do pai da arquitetura moderna, Mies van der Rohe (1886-1969), que viveu em Chicago e tanto contribuiu com essa metrópole singular, vibrante e plural.

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