Revista Giz

04 Ago 2017 - Out 2017

#4 | Diáspora das Cores

O escultor japonês Kohei Nawa desenhou o pavilhão do Shinshoji Zen Museum and Gardens, em Hiroshima, no Japão

De layout surreal, o espaço revisita filosofias e simbolismos inaugurais da civilização humana e proporciona experiência zen aos visitantes do lugar

  • 23 outubro 2017

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O Brasil nem havia sido “descoberto” pelos portugueses quando, lá na China do século 6, o budismo viu brotar sua escola mais pop: o zen-budismo. A palavra tem raízes fincadas no sânscrito e confirma, portanto, uma vontade inaugural da civilização – a busca pelo equilíbrio. Um milênio já se foi e continuamos à procura. No Instagram, por exemplo, há mais de 6 milhões de fotos publicadas com a hashtag #zen – nenhuma, contudo, revela as pinceladas legendárias de Hakuin, ou a arquitetura surrealista de Terunobu Fujimori, dois recortes distintos da ideologia que povoa o Shinshoji Zen Museum and Gardens. Localizado na cidade de Fukuyama, em Hiroshima (o mesmo destino já pulverizado por uma bomba atômica), o complexo paisagístico/museológico mistura competências arquiteturais a expográficas, com prédios funcionais e galerias dedicadas à representação e prática do zen-budismo.

giz-4-shinshoji-zen-museum-gardens-5Uma das plataformas mais vultosas, o pavilhão Kohtei leva assinatura da jovem trupe por trás do estúdio Sandwich, canal criativo sob comando do escultor Kohei Nawa, que criou a estrutura e a obra de arte líquida que preenche seu interior em caráter perene, fazendo referência direta ao nosso monumental Inhotim. O pavilhão se alastra por 796 metros quadrados em um lote de 4.700 metros quadrados (ao todo, o Shinshoji Zen Museum and Gardens ocupa 23 alqueires). Com 46 metros de comprimento por 19 metros de largura e outros 10 metros de altura, Kohtei emprega aço em seu esqueleto, que vem recoberto por duas espécies de madeiras: Kokerabuki (na parte superior) e Shingle (parte inferior).

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Dentro, milhares de litros d’água sob o véu da escuridão são pontualmente iluminados por meio da entrada de um feixe de luz singular, compondo uma experiência artística, visual e sonora que remete aos princípios meditativos do zen-budismo, ao mesmo passo em que acende, poeticamente, importantes pensamentos ambientais, como o uso racional dos recursos hídricos não-renováveis – quando visto de fora, o prédio, repousado em um vale, parece ter drenado toda água à sua volta, depositando-a seguramente em seu interior. Em vez de uma arca no dilúvio, um dilúvio em uma arca. “É meu jeito de interpretar os ensinamentos do zen-budismo por meio da arte contemporânea”, finaliza o escultor que convida os visitantes a romper com o pensamento lógico em seu espaço meditativo.

Shinshoji Zen Museum and Gardens
szmg.jp