Revista Giz

04 Ago 2017 - Out 2017

#4 | Diáspora das Cores

Não passa em branco: para pedestres e veículos, ponte Cittadella, por Richard Meier, liga passado e presente de comuna italiana

A estrutura erguida pela equipe do arquiteto estadunidense na comuna de Alexandria conecta, metafórica e fisicamente, os resquícios medievais da região à nova cidade que ali surgiu

  • 18 outubro 2017
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Só de passagem: Na Itália, o novo projeto da ponte Cittadella, assinado pela equipe do arquiteto Richard Meier, substitui e resolve os problemas da antiga estrutura ali existente, e, no tradicional branco do escritório, revive os resquícios medievais da região

Gelo. Leite. Neve. Acinzentado ou um pouco mais para o bege. Enquanto as teorias ópticas da física definem o branco como a somatória de todas as cores, sendo, ao mesmo tempo e, por isto, nenhuma, não apenas a tonalidade ganha classificações diversas em indústrias de produtos, como é também plural nos significados atribuídos pela psicologia das cores. Na boca do povo ou nos livros acadêmicos, cândido é a cor de todos os santos e do véu da noiva; é a luz transcendental, é paz, é passagem. Esterilização. A página em branco e a carta também, as roupas tradicionais de virada de ano, nada são senão recomeços e novas possibilidades. E, se der branco, a tinta viva refresca a memória: é na neutralidade da alvura que sobressaem os detalhes.

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É justamente assim que enxergam o arquiteto Richard Meier e sua equipe quando optam pela candura estética de projetos sempre monumentais: a absorção da construção pelo meio e sua porosidade são alcançadas, além de por um desenho que respeita o contexto histórico e estrutural em que aporta, pela alvura que salienta saturação e nitidez da paisagem circundante. Nos objetivos do estadunidense homenageado com o Pritzker em 1984 estão ainda otimização luminotécnica e diferenciação entre formas e volumes.

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O mais recente trabalho do escritório, de 2016, se curva sobre a mesma proposta na nortenha comuna italiana de Alexandria. Durante a enchente que acometeu a região em 1994, da antiga ponte Cittadella foi feita, involuntariamente, barragem de detritos. O novo design não apenas resolve este problema, como reconecta a trama da cidade a esse contexto histórico que preserva o sítio que, no século 18, protegia os moradores daquela que era uma típica fortaleza medieval.

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O lado da ponte destinado a veículos se curva acentuadamente para o norte, ao que se contrapõe o arco de 30 metros de altura voltado ao sul. O peso do setor de pedestres ajuda a manter o equilíbrio. Enquanto as estruturas de concreto pré-moldado e aço pintado destacam as mudanças ambientais e atuam como pontos de referência, a pedra pórfiro nas laterais do pilar ancoram a formação à tradicional paleta de materiais da paisagem urbana.

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Diferentemente da estrutura anterior, constantemente carregada com trânsito, insegura e hostil a pedestres, a nova obra se pretende também uma praça pública de estímulo à vida coletiva e ao bom relacionamento com o rio Tanaro.

 

Richard Meier & Partners
richardmeier.com | @richardmeierpartners