Com “Paisagens Silenciosas”, Fernanda Naman dá sequência à sua série de retratos abstratos

Fotógrafa produz séries de imagens que repassam ao espectador o poder da livre interpretação

  • 1 dezembro 2017

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O ateliê da avó, que dedicou toda a vida e o amor à arte, foi o parque de diversões de Fernanda Naman quando criança. Ela cresceu ali, meio a tintas, telas, esmaltes e fornos, e se contagiou pelo talento da matriarca para experimentar na pintura acrílica.

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Assim como ela, porém, manteve a atividade como hobby. Chegou até a cursar Arquitetura para ter uma formação mais abrangente, mas nunca exerceu. “Desde o começo sabia que não era o que eu queria”, confessa. Já egressando da faculdade, quando um amigo a consultou sobre algum bom lugar em que pudesse encontrar um quadro legal, o marido a recomendou: “Ela pode fazer para você”, disse, surpreendendo a esposa. Fernanda até então não havia pensado em levar a pintura como profissão, mas passou dez anos entre galerias, vendas e exposições.

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Faz cerca de oito anos que os caminhos mudaram: agora é pela fotografia que se reinventa. Começou da mesma maneira pretensiosa, ela diz: “Comprei uma câmera para fazer fotos de viagens, fui brincando com o equipamento e fazendo imagens abstratas.” Acabou experimentando e gostando do resultado. As viagens, porém, ficaram apenas como matrizes de inspirações – Fernanda diz não ter tanto gosto pelo gênero mais documental, além de considerar que já haja bastante gente boa no ramo. As paisagens vistas, então, é que ditaram seus trabalhos. Foi assim com a série “Desejos”, em que são retratadas vitrines de grifes de diferentes lugares.

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Depois dela, a produção rumou para um teor mais abstrato. É o exemplo de “Fênix”, em que os recortes de papéis, queimados e iluminados contra-luz, lembravam-na das praias que visitou na infância. “Apesar de não terem sido pensadas como paisagens, para mim, eram.”

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O mesmo acontece com sua série mais recente de pedras, “Paisagens Silenciosas”, exposta na Galeria Gabriel Wickbold de 27 de setembro até 1º de novembro deste ano. “É como a brincadeira de criança de tentar ver formas nas nuvens. Eu acho que meus quadros hoje são isso. As pessoas olham, algumas veem paisagens, outras veem simplesmente uma forma geométrica, já viram até uma panela com brigadeiro”, comenta a artista. À Fernanda muito interessa o que na pessoa irá despertar pela foto. Para ela, são algo como imagens de topografia e curvas de nível.

Sua produção não é programada: acontece de forma espontânea. Quanto à representação, também não há amarras. Apesar de ser representada pelo espaço de Gabriel Wickbold, expõe também em outros recintos. Inclusive tem peças no espaço de Roberto Migotto na Casa Cor Miami, o qual ilustra com retratos também abstratos sobre portas.

Fernanda Naman Fotografia
fernandanaman.com.br | @fernandanaman