Revista Giz

04 Ago 2017 - Out 2017

#4 | Diáspora das Cores

Diva no divã: Monica Iozzi conta sobre como entrou por acaso na política e, depois de deixá-la para atuar na TV, sente falta dos corredores da Câmara Federal

Depois de ter deixado o trabalho com a política para se dedicar à dramaturgia, ela confessa que, em momentos de democracia às avessas, “queria estar lá no salão verde”

  • 19 outubro 2017
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Com styling de Rodolfo Beltrão e maquiagem e cabelo preparados com Dior, Nars e L’Oréal pelas mãos de Renan Tavares, Mônica Iozzi posa em vestido Maria Filó para Raphael Briest sobre a Mesa Lineare, de Vivian Coser para Sette7, na Montenapoleone

Era o dia seguinte ao arquivamento da investigação contra o Presidente Michel Temer quando Mônica Iozzi fotografou para GIZ. Em oposição à delicadeza da maquiagem que pedira – um delineador mais grosso com uma pele clean, junto a um sapato 38, 39 talvez –, comentava a grosseira situação política do País. “Se o Temer não for investigado, todo o discurso do impeachment é desvalorizado, já que era uma manifestação contra a corrupção. Aí vem o lado triste: eu acredito que não será”, diz ela, autointitulada apartidária, que fora processada por criticar online o habeas corpus concedido ao médico Abdelmassih pelo Ministro Gilmar Mendes e agora permanece afastada das mídias sociais. “Às vezes as pessoas têm um ódio que tem a ver com a humanidade de cada um, não com ideologia política. Mas eu me interesso por falar com pessoas que não concordam comigo”, diz, ainda sobre os debates virtuais.

Mônica deixou Ribeirão Preto, no interior de São Paulo, somente para cursar Artes Cênicas na Unicamp, em Campinas, SP, de onde se formou em 2005. Não atribui a inclinação às artes a ninguém da família. Mas descobriu, recentemente, que o progenitor compunha uma dupla sertaneja com o irmão, história contada pela tia.
Na época em que se mudou para São Paulo, depois de, por falta de tempo, abrir mão da Universidade Livre de Música, dividia os dias entre os ensaios do Teatro Experimental do Sesi e o balcão de vendas da Livraria Cultura. Então, já meio frustrada, um fim de namoro avultou as dúvidas sobre suas escolhas e aprontou as malas de volta para a casa da mãe. Apareceu, nisto, o concurso para o CQC.

Além das habilidades de canto e dos 12 anos de ballet clássico em seus 35 de vida, hoje, ao dividir o apartamento em São Paulo com a prima Camila, precisa se virar também na cozinha. Comenta, orgulhosa, que o salmão no papelote e o arroz à grega do dia anterior haviam ficado dignos de MasterChef – único seriado de que, junto a House of Cards, faz maratona. Das várias áreas de interesse que gosta de explorar, a dramaturgia era a que mais lhe fazia falta. Apesar dos últimos trabalhos em Vade Retro e A Comédia Divina, e de ter nascido no dia de finados, Mônica não é adepta de nenhuma religião, mas tem sua fé – “mais ou menos como na política”.

Sem rotina definida, acabou de gravar um filme, deve voltar para o teatro depois das férias e, no próximo ano, dá continuidade aos projetos ainda indeterminados na TV Globo. Na lista de desejos para a próxima década, pensa que estará em São Paulo mesmo, quer ter largado o cigarro, um bumbum mais durinho, e deseja estar envolvida em projetos que dialoguem com o que pensa em termos artísticos.