Em “Gráficos Urbanos”, na Micasa/Vol. B, fotógrafos de moda voltam olhares à paisagem de grandes metrópoles

Nomes como Bob Wolfenson e Miro, conhecidos no registro de modelos e marcas em editoriais e passarelas mundo a fora, emprestam seu olhar para retratar o horizonte urbano

  • 22 agosto 2017

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O caminho de todo dia que perpassava uma mesma árvore amarela; a janela emperrada do prédio da frente que reflete o sol no rosto; um café no segundo andar de uma galeria com quem se encontrou com o amigo que não via há dois anos. As peculiaridades e as imperfeições rotineiras do espaço habitado fazem-se memória e, de repente, aquela demarcação física urbana é, também, parte do indivíduo. Com o intuito de materializar a memória dessa vivência na cidade assimilada pelo ser humano, Houssein Jarouche recebe na Micasa/Volume B a exposição Gráficos Urbanos, que empresta a visão autoral de Bob Wolfenson, Jacques Dequeker, Gui Paganini, Gustavo Zylberstein, Miro, Paulo Vainer e Vânia Toledo — fotógrafos renomados na moda nacional — para desviar seu olhar para paisagens urbanas das grandes metrópoles.

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Nas imagens de Gui Paganini e Gustavo Zylberstein é percebida uma fotografia mais gráfica, que capta a questão da repetição das formas e as linhas curvas, características fundamentais do modernista Oscar Niemeyer. O trabalho de Miro é também uma ode às linhas do arquiteto, inspirado pelo corpo feminino. O fotógrafo coloca o Copan, maior estrutura em concreto da América Latina e um dos grandes símbolos gráficos de São Paulo, quase como um ser vivo.

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Bob Wolfenson, por sua vez, traça um entendimento entre homem e cidade, a escala imposta e as aglomerações. Com figuras vistas de trás, sem revelar rostos, é vetada a reflexão individual sobre as pessoas e enfocada a massificação, o que acontece também no trabalho de Paulo Vainer, em que a sensação de multidão e de deslocamento atinge um nível quase abstrato.

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Em dois trabalhos de Jacques Dequeker surge um ruído de forma sutil por meio de uma vibração visual equivalente ao som. O terceiro, a foto de um edifício, revela geometria e silêncio, que se repetem nos elementos da estação do metro São Bento e do Teatro Municipal vistos nas fotos de Vânia Toledo.

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Segundo a organização, por meio da visão destes artistas, “Gráficos Urbanos” busca ser o fio condutor para que cada expectador possa rever seus próprios registros e descobrir quais gráficos ficaram armazenados no inconsciente.

Exposição “Gráficos Urbanos”
Visitação: 
a partir de quarta-feira, 23 de agosto de 2017
Local: Micasa – R. Estados Unidos, 2.109, Jd. América, São Paulo. T (11) 3088 1238. micasa.com.br