On broadway

Instalada no endereço mais quente do décor de SP, a Galeria Aecio Sarti oferece mais do que obras de arte: o espaço apresenta um mundo de possibilidades a quem ainda não se rendeu as belezas plásticas

  • 8 novembro 2016
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Embora focada em obras de Aecio Sarti, galeria também está aberta a exibição de trabalhos assinados por outros artistas

Para quem sempre procura levar ao décor projetos, obras e trabalhos de arte repletos de significados, a Galeria Aecio Sarti, instalada na conhecida Alameda Gabriel Monteiro da Silva é um dos endereços certeiros a frequentar. Comandada pelos sócios Paulo Sartori e Daniel Sarti – filho do artista que dá nome ao espaço – é focado na apresentação das criações de Aecio Sarti, pintor brasileiro nascido em Aracajú, Sergipe, que aos 57 anos de idade contabiliza mais de quatro décadas dedicadas a arte de contar histórias com seus desenhos feitos a base de muita tinta. “Queremos ser uma opção diferente para os apreciadores e compradores de arte na cidade de São Paulo. Nos posicionamos como uma galeria que dialoga com todas as manifestações artísticas e que está sempre aberta a novas possibilidades, ou seja, nos definimos como um espaço dinâmico” explica Daniel, jovem sócio de 30 anos e diretor da unidade.

Aberto em Sampa desde o último mês de maio, o endereço tem também o propósito de apresentar a novas pessoas as belezas desse mundo cultural. “Encontramos em São Paulo a possibilidade de falar de arte de uma maneira diferente do que vem sendo feito. Geralmente as galerias da capital são focadas no público que já está acostumado ao ambiente da arte. São pessoas que estão muito conectadas às feiras de arte, ao colecionismo, e a tudo que circunda esse meio. Mas não são apenas elas que tem condições para adquirirem uma obra”, reforça o executivo.

A percepção de que não somente colecionadores e amantes das artes podem se interessar por uma obra artística vem da experiência vivida pela família Sarti em Paraty, região onde há 11 anos Aecio Sarti comanda ateliê próprio. No estúdio do pai foi que Daniel percebeu que a paixão pela arte e o interesse pela compra de um trabalho se revela em qualquer um, basta criar as condições para que o contato aconteça. “Outro fator que nos motivou a abrir a unidade na Alameda Gabriel foi a possibilidade de falar do que quisermos, com liberdade total. Ser representado por alguma galeria é interessante, mas limitador. O artista sempre precisa dizer mais”, explica Daniel Sarti.

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Pinturas de Aecio Sarti transitam do minimalismo monocromático ao ornamentado

Um pouco da história e criações de Aecio Sarti

Natural de Aracajú, Sergipe, o pintor Aecio Sarti nasceu em 1959 e desde os 14 anos cria, expõe e comercializa suas próprias obras. Com criações que podem ser consideradas contemporâneas, ele também desenvolve trabalhos recheados de traços ligados a arte popular. “Meu pai pinta histórias através da representação de figuras humanas, seja depois de uma viagem de pesquisa ao interior do Brasil, do encontro com pessoas que cruzam sua vida diariamente, ou motivações autobiográficas”, conta Daniel.

Ainda de acordo com o Sarti, os trabalhos de Aecio transitam do minimalismo monocromático ao ornamentado, sempre apresentando uma série. “Tudo depende do que ele pretende contar. Deixamos a classificação de sua obra para o espectador”, pontua o jovem.

Uma característica da produção do artista é que ele pinta seus quadros usando lonas de caminhão como suporte ao invés da tradicional tela branca. Esse aspecto, inclusive, o motivou e inspirou a desenhar o trabalho “Céu de Querubins”, em 2013. A pintura, feita em 96 metros quadrados de uma lona de caminhão, retrata diversos querubins, personagens muito presentes na obra de Aecio Sarti.”Ele queria pintar algo que fosse para as estradas e escolheu essa lona para que vivesse algo real, que fosse marcada e ressignificada pelas histórias da vida, antes de ser exibida em espaços tradicionais de arte”. conta Daniel.

Há três anos, a lona com os querubins criada por Aecio cobriu a carga de um caminhão que realiza o comércio de potes de barro entre o sertão baiano e o sudeste do país. O trajeto, feito pelo mesmo caminhoneiro há 30 anos, serviu de roteiro para a exposição itinerante da pintura. Sobre o veículo ela percorreu inúmeras comunidades brasileiras.

Outro ponto que chama atenção na trajetória do pintor é que sua carreira sempre se encaminhou de maneira independente. “Com o tempo percebemos que esse é um direcionamento pouco tradicional, mas que vale a pena. Foi assim que a obra do meu pai passou a fazer parte de coleções particulares e públicas de mais de 50 países, em todos os continentes”, diz Daniel.

Dessa forma mais autônoma ele também conseguiu entrar nos museus e centros culturais. “Vamos sempre seguir nesse caminho independente para falar de arte da maneira que acreditamos” afirma o herdeiro.

A viagem do “Céu de querubins” virou um documentário curta-metragem, dirigido pelo fotógrafo e documentarista Gustavo Massola,e já foi exibido na televisão, além de premiado em vários festivais de cinema pelo mundo. A lista de prêmios, a relação de onde foi exibido e o doc na íntegra estão disponíveis no vimeo.

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Pintura O céu que me guia, de Aecio Sarti

Os demais trabalhos a mostra na Aecio Sarti

Embora a galeria tenha como foco a apresentação dos trabalhos assinados por Aecio Sarti, outros artistas podem eventualmente ganhar lugar dentro do espaço.”Nosso interesse também está na fotografia, no design, na literatura, no cinema. A galeria está aberta não só à exibição de outros trabalhos como também a acolher discussões que tenham a arte como pano de fundo, seja através de palestras, encontros, etc. A proposta de galeria acolhedora se estende para além dos visitantes, ela integra qualquer pessoa ou instituição que pense a arte no seu cotidiano” pontua Daniel.

Ainda de acordo com o sócio diretor, o processo de curadoria da Aecio Sarti privilegia artistas que tenham coerência e força nas produções que realizam, que enxerguem a arte de maneira ampla e não restritiva, se baseando apenas nas tendências.”Infelizmente o mercado da arte costuma seguir certas tendências, que por sua vez são incorporadas por alguns artistas. Feito esse primeiro filtro da galeria, vemos a possibilidade de trabalhar com curadoria externa para a exposição em questão” reforça ele.

Galeria Aecio Sarti
Alameda Gabriel Monteiro da Silva, 264 – Jardim America, São Paulo, aeciosarti.com