Do papel para as telas: a trajetória que fez de Marcelo Calenda um grande nome da edição digital de imagens

Tratador e ilustrador, o paulistano já assinou o retoque de ensaios e capas como a da nossa GIZ 3, com Mariana Ximenes

  • 27 junho 2017
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Retrato de Marcelo Calenda

Foi pelo curso do rio que o paulistano Marcelo Calenda se tornou mestre no retoque e na ilustração digitais. Desde pequeno, o artista responsável pelo tratamento das capas de GIZ que estampam Mariana Ximenes nas bancas gostava de desenhar. Mas a oportunidade surgiu mesmo da necessidade: enquanto era um diretor de arte “neurótico” na revista da 89, a Rádio Rock, sentia falta das imagens com exatamente os detalhes de que precisava para suas capas. Então começou ele mesmo a remover um abajur aqui ou aquecer o fundo acolá. O trabalho, “mágico”, passou a se difundir de boca em boca e, a cada vez que alguém precisava de um retoque fino, era seu nome e seu estilo de trabalho mais natural (diante dos estúdios maiores com retocadores já renomados e produções mais plásticas) que eram lembrados.

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As atrizes Alice Braga e Mariana Ximenes que estampam, respectvamente, as capas da GIZ 2 e 3 passaram pelos cuidados de Marcelo Calenda

A incursão no design gráfico, antes disso, aconteceu quando a irmã mais velha indicou os desenhos de Calenda para uma editora. Surgiu então o primeiro trabalho: fascículos sobre sexo. A direção de arte, em seguida, foi em uma fase ainda pré-digital. “Eu era bem novo e marcava as coisas no papel. Tudo o que passei a fazer no computador, as técnicas de luz e sombra, foi reflexo do que aprendi no papel”, conta. O design para a internet acontecia ao mesmo tempo em que nascia o WWW – nos idos de 1998, num tempo de escassos designers gráficos, a arte era pensada para ser esteticamente agradável mas, ao mesmo tempo, não demorar a carregar. Durante estes anos, trabalhou para empresas como Apple, Microsoft e Intel, e, com um estúdio pequeno para a época, fazia a diagramação das revistas do festival Free Jazz. Daí em diante assinou as front covers de diversos títulos como Gloss, Capricho, Lola, Você S/A, Superinteressante e Rolling Stone Brasil (em 2014, fez para o selo de conteúdo cultural uma série de capas com os presidenciáveis brasileiros que o conferiram muito sucesso).

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Registros de trabalhos que renderam capas para outras publicações

Foi a partir das mesmas situações de aperto que o fizeram, quando o texto saía do forno sem imagens que o decorassem, que Calenda profissionalizou suas ilustrações. Passou, então, a ser reconhecido pela qualidade de ambos os trabalhos. Hoje, no Estúdio Revolut, trabalha com um grupo de colaboradores que o auxilia nas produções de capas e desenhos de títulos editoriais dos grandes. Neste ramalhete de obras que o consagrou no meio, o profissional destaca a capa de nossa terceira – e mais fresquinha – edição como um dos trabalhos que mais o satisfizeram e orgulharam.

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Registros de trabalhos que renderam capas para outras publicações

A devolutiva da redação é igualmente prazerosa: “Calenda é um dos mais minuciosos e sistemáticos retouchers com quem já trabalhei. Muitas vezes, apesar dos esforços hercúleos, a  gente sai do set sem a foto perfeita, o que seria imperdoável na hora de publicar. A imagem precisa, invariavelmente, ser bem acabada. E esse é seu trabalho de retoque: justamente deixar irretocável. Faço questão de tê-lo comigo no set para que ele participe da ideia do começo ao fim. Afinal, por mais absurda, tem que ser de verdade”, adiciona o publisher e diretor editoral de GIZ Allex Colontonio.

Marcelo Calenda
revolut.com.br | @estudiorevolut | @calenda