Rubem Ludolf e o Plano da Cor: panorâmica sobre a trajetória do artista na Galeria Berenice Arvani

O artista plástico alagoano Rubem Ludolf – nome importante do construtivismo brasileiro – em retrospectiva na Galeria Berenice Arvani

  • 23 março 2017

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Nas palavras do artista plástico alagoano Rubem Ludolf (1932 / 2010), seu trabalho consistia em “pintar a tela em branco como quem escrevesse com a cor, formando frases em pinceladas ordenadas – ora num sentido, ora noutro, nunca a esmo. Continuar pintando/escrevendo até que as tramas, labirintos, claro-escuros, signos tomem forma e comecem a respirar…”

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Sob curadoria de Celso Fioravante, a Galeria Berenice Arvani abre a exposição “Rubem Ludolf e o Plano da Cor”, em uma abordagem panorâmica deste artista – nome importante na história do construtivismo brasileiro – que abrange trabalhos do início da década de 50 até seus últimos trabalhos. Pintor, arquiteto e paisagista, Rubem Mauro Cardoso Ludolf formou-se em Arquitetura em 1955 – e nesta época, freqüenta as aulas de Ivan Serpa (1923-1973), e acaba participando do Grupo Frente (grupo de artistas que constituiu o núcleo carioca do movimento concretista brasileiro), cuja única condição para fazer parte deste grupo, segundo Serpa, era romper com as fórmulas da velha academia, propondo-se questionar a arte para criar uma estética singular.

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Em seguida integra o Movimento Concretista entre 1956 e 1957. Cria, nesta época, obras abstrato-geométricas nas quais explora estruturas seriadas, onde geralmente a estrutura da obra se apóia nas linhas, na superposição de planos e por elementos que remetem ao signo gráfico. Mas na década de 60, o rigor concretista é substituído por uma pintura que se caracteriza por pinceladas que constroem tramas de cor. E aqui, quando seu trabalho parece se libertar dos dogmas concretistas, a frase que ele proferiu fica mais evidente – é pela cor que tudo parece começar em sua obra.

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Esta mostra explicita as mudanças de suas pinturas nesta década, conhecida como fase das “Tramas”, e seu posterior retorno ao abstracionismo na década de 1980. Segundo o olhar do curador, apesar de cobrir um arco de quase seis décadas de abrangência da produção de Ludolf, a ênfase desta exposição se dá nas soluções construtivistas realizadas entre 1970 e 2000, que aprofundaram as questões pictóricas e recriaram o vigor de sua precisão concreta, por meio de pinturas, caixas de acrílico e gravuras (serigrafias).

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Segundo o crítico Mario Pedrosa (1900 – 1981), os trabalhos de Rubem Ludolf “…são de grande delicadeza tonal, com tramas que se superpõem a ponto de formar, em certas telas, um terceiro plano – posterior…”. Seriam estas tramas e planos que particularmente caracterizam seu trabalho, um jogo de campos de força onde os elementos são dispostos de forma dinâmica, criando tensões e equivalências visuais – onde o próprio espectador pode perceber novas vibrações cromáticas, novas experiências para olhar, apenas distanciando-se ou aproximando-se das obras. Seu trabalho, além de utilizar-se dos princípios óticos orientados pela visão, parece se apropriar dos conceitos de visão gestáltica, onde a idéia de que o que se apresenta como fenômeno no momento atual deve ser levada em consideração, como forma a estimular a percepção sensorial do espectador.

Galeria Berenice Arvani
R. Oscar Freire, 540, São Paulo.
T (11) 3088 2843
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