Tapeçaria desenhada por Tomie Ohtake para auditório Simón Bolívar é recriada pela Punto e Filo

Obra da artista plástica foi consumida pelo fogo durante incêndio que acometeu o espaço do Memorial da América Latina em 2013

  • 7 dezembro 2017

 

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A senha para a reconstrução da tapeçaria da artista plástica Tomie Ohtake foi distribuída por ela mesma logo que soube que sua obra fora consumida pelo incêndio do Auditório Simón Bolívar do Memorial da América Latina, em 2013. A sugestão de reconstrução da obra a partir do desenho original, também.

O primeiro passo tomado pelo então presidente João Batista de Andrade, já com a consultoria do Instituto Tomie Ohtake, foi procurar a mesma empresa responsável pela peça original, que descobriu, então, que as máquinas utilizadas para tecer e emendar os pequenos tapetes que formariam a peça final ficaram obsoletas.

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Na procura que se seguiu — estendida até o segundo semestre de 2016, veio de encontro a empresa paulistana Punto e Filo, comandada pela família Pisaneschi, que, depois de assistir à notícia pela televisão, interessou-se e apresentou um projeto em que doaria a mão-de-obra de seus funcionários. “Recriar uma obra de Tomie Ohtake é algo impossível de mensurar. Estamos imensamente felizes em fazer parte deste legado artístico e cultural que vai durar por muitas gerações”, comemora o diretor da marca Mario Pisaneschi Jr. Para a diretora Viviam Pisaneschi, conforme disse na ocasião do anúncio da parceria em dezembro de 2016, “este trabalho é um grande presentem que recebemos. Temos certeza que essa obra vai perdurar por gerações, então seguramente poderemos trazer nossos filhos e netos para vê-la. Quando o espaço for reinaugurado, certamente poderemos contemplar uma peça muito bonita”.  A matéria-prima, por sua vez, ficou a cargo da empresa norte-americana Invista, líder mundial na produção de fios. O desenvolvimento da produção foi supervisionado pelo casal de artesãos contratados pelo Memorial Jorge e Vera Nomiya, que trabalharam com a artista na obra original.

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“Quando Oscar Niemeyer convidou-me para fazer este painél ocupando toda a parede lateral interior do auditório do Memorial da América Latina, percebi que era um enorme desafio, porque havia as duas curvas que trocaram a tradicional base retangular por uma belíssima forma que eu não quis destruir, mas valorizá-la e, ao mesmo tempo, ter um trabalho meu que dissesse alguma coisa. O resultado a que cheguei procurou também manter a unidade platéia-palco-plateia”, disse a artista plástica em depoimento publicado no livro Integração das Artes, editado pelo Memorial da América Latina, em 1990

Diferentemente daquela, a versão Tomie Ohtake 2017 é uma peça única com os mesmos 70 metros de extensão, área de 840 m², pesa cerca de 4 toneladas e não propaga fogo, assim como o drywall (parede seca) de gesso em que está instalada entre as plateias A e B. Tais dados conferem informalmente à obra de Tomie Ohtake as credenciais para ser indicada ao Guinness Book of Records com o status de maior tapeçaria contínua do mundo.

Punto e Filo
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