Orange is the new Black: a opulência da era Trump por Cynthia Garcia

Enquanto o mundo se prepara para pagar o pato Donald Trump, Cynthia Garcia, nossa starjournalist preferida, pondera sobre as alianças entre o presidente e sua opositora Hillary e, de quebra, mostra um pouco da opulência (há quem goste!) decorativa que cerca os bastidores do novo poder americano

  • Por:Cynthia Garcia
  • 10 novembro 2016
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Cobertura de US$ 100 milhões do presidente eleito dos EUA, em sua Trump Tower em Manhattan. Foto Sam Horine

Tom Brady votou em Trump, mas Gisele diz que ela (ao ritmo de “Rehab” da Amy Winehouse): No! No! No! Na faculdade, a atriz Candice Bergen teve um date com Trump nos anos 60 e nunca mais. “Ele veio de terno, sapato, gravata e limousine, tudo vinho”, conta ela, que foi um dia, uma das louras mais lindas da América. Hillary Clinton, os EUA e todos nós somos os perdedores da corrida presidencial mais hostil da história, mas Hillary já se ofereceu a seu inimigo jurado para ajudá-lo no novo governo. Ontem, dia seguinte ao surpreendente resultado, ela enviou um longo e-mail a todo eleitor democrata inscrito no partido. Minha irmã americana e my friend Cristina Midosi, de Miami, receberam e me reencaminharam. Fiquei comovida. Meu editor de Chicago, Brian Hieggelke, preferiu refrescar a cabeça no México para refletir até domingo: “It’s a sad day for America”. Pedro Cavaliere, DJ e produtor musical, meu caçula que vive em Los Angeles, assustou, mas se recompôs: “This is America, mom”. À noite, multidões tomaram sete cidades norte-americanas bradando: “Trump is not our president. Trump is not our president”.

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Amigos em 2005, Donald, Hillary, Bill e Melania, no casório nababesco. Foto: Maring Photography/Getty Images/Contour by Getty Images

Até então condenados a serem duas cartas fora do baralho, como Trump e Hillary chegaram lá? Os dois já andaram de mãos dadas.
A debandada do casal Clinton para Nova York começou no final de 2000. Bill no último mandato, abalado pelo escândalo Monica Lewinski e tendo confessado fumar maconha “sem tragar”, precisava se reinventar. Sua fiel escudeira buscava uma cadeira no Senado pelo estado de Nova York. O jeito era confraternizar com a elite nova-iorquina. Ela para arrecadar contribuições para sua campanha de eleição ao Senado. Ele para criar The Clinton Foundation. Quebrados em função da montoeira de advogados contratados no caso Lewinski, o jeito foi alugar uma casa na bucólica Westchester em vez de se instalar numa townhouse em Manhattan. No caso da fundação, a locação anual de US$ 210 mil no Harlem foi a opção viável que encontraram para finalmente abrir suas portas.

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Mansão na Florida do presidente americano eleito Donald Trump

Bill precisava de amigos ricos, rápido, nada melhor que num campo de golfe. Tentou se associar aos quatro clubes mais fechados da região, levou bola preta em todos. Para melhorar sua imagem, o ex presidente passou a dar palestras em colégios, associações. Onde fosse, lá estava ele com seu carisma sedutor, bonachão.

Ao mesmo tempo, não satisfeito em fincar um paliteiro nababesco em Manhattan, Donald Trump agora invadia os lares como o truculento host do programa “The Apprentice”. De família de bairro classe média do Queens, a elite nova-iorquina o esnobava. Louco para ser aceito e ganhar um upgrade social, o taco de golfe ajudou na ascensão. Em 2002, reformou um clube falido que havia comprado há tempos em Westchester e o reinaugurou tinindo rebatizado The Trump National Golf Club. Bill Clinton foi aceito como sócio, tornou-se a cereja do bolo e camarada de Trump no gramado. Como o empreendedor agora podia divulgar que tinha um amigo ex presidente, a moeda de troca foi a contribuição de US$ 100 mil para a fundação Clinton.

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Hotel Trump International em Las Vegas

Em 2005, a presença do casal Clinton na união de seu benfeitor com a bela Melania abrilhantou o ostensivo casório no 66º andar no apê de US$ 100 milhões decorado ao estilo Versailles por Angelo Donghia no topo da Trump Tower, erguida em 1983. A noiva singrou os salões dourados com um tomara-que-caia Dior da era Galliano que custou o valor do cheque que refez a vida dos Clinton. O resto é história e, agora, Orange is the new Black.

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