CASA ROSA: La Vie En Rose não é book rosa, mas a tonalidade, praticamente rodou bolsinha na 31ª edição da Casa Cor SP 2017

O consultor de arte e estilo Wair de Paula disserta sobre a matiz sensação da temporada que tinge a mostra de décor mais badalada da América Latina

  • 26 Maio 2017

Confesso que tremo quando ouço a palavra “tendência” aplicada ao universo da arquitetura de interiores. Quando este termo é usado como referência para tendências sociológicas ou de origem ética – como o uso de materiais ecologicamente corretos, ou de produtos que gerem baixa emissão de carbono, ou qualquer coisa parecida – eu acho lúcido. Quando chegamos na parte “a tendência é o rosa, o greenery, os metais dourados…”, confesso que tenho urticárias.

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E nesta edição da Casa Cor SP, tome rosa! Temos carpete rosa, parede rosa, marcenaria rosa, mais parede rosa, divisória rosa… E eu, que não tenho muita paciência com “candy colors”, ouvia dos jovens contratados que repetiam monocordicamente – igual ao menino do cajueiro – que “rosa era a cor oficial de Milão”. Isso não empana o brilho desta edição que, apesar da debandada dos mais famosos arquitetos e decoradores do pedaço, já citada AQUI por Allex Colontonio, ainda mostra fôlego de garota. Mas… sempre tem um “mas”.

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O primeiro “mas” é a história do rosa em excesso. Se toda a unanimidade é burra, como dizia Nelson Rodrigues, a hegemonia cansa. O segundo “mas” – talvez a pretensão de alguns espaços – a Antessala Real tem a realeza (e arrogância) no título, mas fiquei pensando se não seria “anti” sala real. O terceiro “mas” são as estantes. Pra quê fazer estante, se não sabe arrumar? Ou façam como Paola Ribeiro – que colocou 5.000 livros em seu home office – ou como Aldi Flosi, Bruno Rangel & Paloma Yamagata, que juntaram uma pequena montanha de vidros (não sei quantos, mas são muitos) em perfeita harmonia. Mas fazer estante e colocar uma pilha de livros aqui, outra pilha de livros ali, um enfeitezinho banal… Precisa? Michel Safatle poderia dar aulas também sobre isso – empilha, acumula, sobrepõe – sempre com precisão e, às vezes, com fina ironia.

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É uma Mostra, não precisamos ter 100% de compromisso com o crível. Mas o excesso de elementos “combinando” também é muito chato. Usar vasos de falso Murano da cor da parede não cola, bem como colocar quadros azuis combinando com as cadeiras azuis e as cortinas azuis também. Como também não justifica um quadro pendurado por uma corda grossa em uma suíte master – parece que o quadro foi enforcado. Se é obra do artista, é ruim. Se for obra da dupla de profissionais, piorou.

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Mas, entre pequenos desacertos, destaca-se a seleção de ótimos profissionais, e – se os über-famosos não estão presentes, não dá para sentir falta. Mas…espera um pouco…

Período: de 23 de maio a 23 de julho
Horário: Terça a domingo, das 12h às 21h
Local: Jockey Club de São Paulo
Endereço: Avenida Lineu de Paula Machado, 1075, Sâo Paulo

Ingressos:
De terça a quinta-feira
Ingresso inteiro: R$ 56 /  Meia entrada: R$ 28
Sexta, sábado, domingo e feriados
Ingresso inteiro: R$ 70 / Meia entrada: R$ 35
casacor.abril.com.br