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Mala mortífera: nossa colunista Cynthia Garcia revela os segredos (entre outras bagagens mais) que envolvem a grife lendária americana Zero Halliburton

A Zero Halliburton é a marca de malas mais cobiçada do planeta e está presente tanto em produções hollywoodianas quanto na Casa Branca

  • Por:Cynthia Garcia
  • 13 dezembro 2016

Sabe qual é o objeto de desejo masculino do Natal 2016? Não é uma carteira da Burberry, não é o transado par de abotoaduras com aranhas de Alexander McQueen e nem o revitalizante para pele (perfeita) de Tom Ford. Também não é a caixa para IPhone em couro de crocodilo da Aspinal, nem menos o set para barba da Czech & Speake, nem o super fone de ouvido Zik Parrot ou o divertido porta-óculos bordado em ponto-cruz de Jonathan Adler. O novo objeto de desejo é a pasta que não é macarrão: a mala de mão. Mas não é Vuitton, Tumi, Rimowa, Samsonite, Ghurka….

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Registro da mala mais bem guardada do planeta

A mais cobiçada do planeta Terra é uma versão especial do modelo padrão da Zero Halliburton, marca 100% americana, criada em 1938, respeitada pelo design sólido e pela durabilidade de suas malas. As Zero Halliburton já aparecerem em mais de 200 filmes de Hollywood, entre eles, “Independence Day”, “Air Force One”, na franquia “Missão Impossível” e até em “Toy Story II”. É numa Zero Halliburton que os aguardados resultados do Oscar são levados até o Dolby Theatre, em Los Angeles, e nelas que as pedras lunares capturadas nas Missões Apollo eram transportadas ao chegar à Terra.

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O modelo especial da Zero Halliburton fabricado há 50 anos para os presidentes dos EUA

Mas nada se compara ao papel que um único modelo especial da Zero Halliburton, fabricado há 50 anos com poucas alterações, tem na Paz Mundial. É a mala de mão do presidente do Estados Unidos. Ela literalmente o acompanha 24 horas por dia durante os quatro anos de mandato. Nela ficam guardados os códigos secretos capazes de em 30 minutos enviar um míssil nuclear a Moscou, Pyongyang,  Beijing ou aonde tio Sam quiser. Isso não é roteiro de filme de ação.

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Julho de 1946, uma das explosões atômicas em teste da Operation Corssroads no Atol de Bikini

stimpy-red-buttonPresa a uma corrente ao pulso do militar responsável por carrega-la, é conhecida como “Nuclear Football” em alusão ao explosivo chute-bomba (dropkick) do futebol americano, esporte nacional que está mais para metáfora de guerra. Desde que Trump foi eleito, surgiram preocupações a respeito da mala nuclear devido ao destempero que Donaldão demonstrou durante a corrida presidencial. Agora, com as nomeações de seu gabinete assustadoramente conservador, ultra belicista, as especulações não param.

De posse da mala mortífera, o futuro presidente Trump não precisará de autorização do Congresso para iniciar um ataque nuclear. A decisão compete unicamente a ele, comandante-chefe da maior potência militar do planeta.

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Ex-presidente Ronald Reagan acompanhado de sua nuclear football

De couro preto sobre estrutura de alumínio reforçado, a Football tem as medidas de uma mala de bordo com capacidade de até 20 quilos. Por dentro é segredo de estado. A primeira foi desenvolvida para o presidente Kennedy que viveu o auge da Guerra Fria e da crise EUA X Cuba, em 1962. Hoje, a que acompanhou JFK – que teve momentos em que quase sucumbiu à razão de ser da maleta – é um dos ícones do Museu Smithsonian, em Washington.  Quando os russos descobriram, o presidente soviético Nikita Khrushchov mandou produzir a versão Made in USSR, a “chemodanchik” ou maletinha. O escritor Ian Fleming, que uns afirmam ter sido espião da coroa, criou o personagem James Bond não sem sua mala 007 inspirada na verdadeira. Mas sendo Bond agente britânico, ela não podia ser uma Zero Halliburton. De “Dr. No” a “Spectre” mudam os atores mas 007 continua suas peripécias acompanhado de sua elegante Globe-Trotter marrom, com selo e savoir-faire de sua majestade.

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A mala mortífera sobe no Air Force 1 com os códigos nucleares secretos

Contrário ao que se imagina, a mala mortífera americana não guarda o temido botão vermelho. Seu propósito é confirmar a identidade do presidente dos EUA através de um código que aciona o Pentágono, responsável pela monitoração de um ataque nuclear. Um dos problemas da perversa pasta de mão envolve a chave de acesso ao código letal. Trata-se de um simples cartão laminado – batizado “Biscuit” (biscoito) pela CIA – igual a qualquer cartão de crédito. O presidente dos EUA é obrigado a carregá-lo no bolso interior do paletó 24 horas seja aonde estiver. Conta-se que Bill Clinton, quando presidente, perdeu o cartão durante uns meses em 2000.  O Biscuit também deu canseira ao governo Reagan. Em 1981, na tentativa de seu assassinato, o presidente levado às pressas ao hospital, suas roupas retiradas, o Biscuit se perdeu na confusão. Foi descoberto no lixo hospitalar.  Jimmy Carter acabou esquecendo-o no bolso do paletó sujo para ser achado na lavanderia da Casa Branca. De George W. Bush e Obama ainda nada se sabe, a história recente prima por os acobertar os últimos fatos.

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A mala que segue o comandante em chefe dos EUA em todos os lugares

Como será o bilionário como chefe de estado é a pergunta da vez. Empossado no dia 20 de janeiro, o presidente Donald Trump receberá o Biscuit e passará andar acompanhado da mortífera Zero Halliburton. No entanto, uma coisa é certa em todas as apostas que especulam aonde o 45º presidente dos Estados Unidos guardará o tal “biscoito” pra não perder e ninguém por a mão, exceto ele: entre os seios da primeira dama…

Zero Halliburton
zerohalliburton.com