Revista Giz

04 Ago 2017 - Out 2017

#4 | Diáspora das Cores

Folhas que o vento espalha: os arranjos entre as flores de Maria Emilia Morozini e as peças de barro brasileiro de Sonia Fugiwara

A paisagista interpreta por meio de arranjos botânicos as linhas orgânicas e autorais da designer e ceramista

  • 20 outubro 2017

 

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Um jardim não está pronto até que esteja pronto e o motivo é um só: cultivar plantas implica em lidar, diretamente, com os ciclos (e humores) de seres que estão vivos. Alguns projetos levam poucos meses para fazer brotar flores e render, literalmente, bons frutos; enquanto outros podem demorar anos (ou décadas) para atingir a maturidade estética. A paisagista Maria Emilia Morozini, por exemplo, levou 20 anos para desabrochar seu talento para o ofício e virar uma referência em arranjos botânicos da noite para o dia: mãe de dois dos mais queridos e talentosos profissionais do segmento (o arquiteto Fabio Morozini e o artista Felipe Morozini), se lançou na área motivada por um dos rebentos. “Estou com 67 anos, comecei nessa profissão incentivada pelo Fabio. Antes disso, eu era uma dona de casa: nunca é tarde pra gente começar a fazer aquilo que gosta”, conta a dama das bromélias que acumula em sua espontânea trajetória uma infinidade de projetos autorais. “Para essa composição da GIZ, utilizei orquídeas de várias cores, antúrios vermelhos, dálias e galhos de camélias”, revela sobre suas escolhas ao interpretar as cerâmicas pinçadas no ateliê Somassae.

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Os arranjos botânicos de Maria Emilia Morozini fazem uso de orquídeas multicoloridas, antúrios vermelhos, dálias e galhos de camélia para uma sinergia completa com as cerâmicas handmade e cheias de personalidade de Sonia Fugiwara, do ateliê Somassae Pottery Design

“As orquídeas, em particular, combinam muito com os vasos. Conversei com a Sonia e decidi seguir por um caminho inspirado nas ikebanas”, conta. Também há 20 anos no circuito, a paulistana Sonia Fugiwara é ceramista, designer gráfica e estudiosa de técnicas e manuseio da argila. Em sua Somassae Pottery Design, desenvolve criações do tipo singulares, feitas uma a uma, artesanalmente, com barro de origem brasileira e descartes reciclados e reutilizados. “Os esmaltes que aplico nas cerâmicas são elaborados a partir de minerais, óxidos e cinzas, o que gera uma paleta de cores moderna e única”, ensina. Ao que segue no arremate: “A arte cerâmica é a simbologia da transformação: da mistura harmônica entre a terra, água, ar e fogo, do uso mais primitivo ao mais contemporâneo, ela representa a concretude de um material amorfo em um objeto de arte ou utilitário”, diz a ceramista de mão cheia que “ama plantas e é apaixonada por orquídeas – a sensibilidade e o talento da Maria Emilia entraram em total sinergia e unidade com as minhas peças. Extremo bom gosto!”, finaliza.

 

Maria Emilia Morozini
@mefmorozini

Sonia Fugiwara – Somassae Pottery Design
@somassaepotterydesign