Revista Giz

04 Ago 2017 - Out 2017

#4 | Diáspora das Cores

Circolare: passarela desenhada por Effekt se alonga até a conversão em torre de observação elevada em floresta de Copenhague

Em meio à floresta de Denderup Vænge, na Dinamarca, o escritório Effekt ergue seu vertiginoso Tree Top Walk – estrutura com 600 metros de extensão e uma torre a 45 metros de altitude, projetada a fim de promover a convivência saudável de seres humanos com um dos ecossistemas mais delicados que há no planeta Terra

  • 25 outubro 2017
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A Tree Top Walk é uma passarela de 600 metros assinada pelo escritório Effekt, que culmina numa torre elevada 45 metros do solo. Ao longo de sua extensão, a caminhada vai oferecer seis tipologias distintas

O dito popular atesta: não podemos enxergar a floresta quando estamos olhando apenas para as árvores. Para liquidar o dilema, o escritório Effekt, um dos coletivos mais efervescentes e antenados da arquitetura contemporânea (eles estiveram em nossa edição #1 com o comovente projeto das ReGen Villages, lembra?), apresenta a Tree Top Walk – passarela com 600 metros de extensão que culmina em uma torre de observação elevada 45 metros do solo. “Queremos oferecer às pessoas uma oportunidade única de vivenciar essa floresta inaugural e virgem, sem que seu frágil microclima seja prejudicado.

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O desenho da natureza não deve ser questionado – deve ser apreciado. Nesse contexto, nossa meta é proporcionar momentos de apreciação do mundo natural aos visitantes que, lentamente, ascendem por entre as copas das árvores”, explica Tue Foged, sócio e cofundador do Effekt. Ao que segue: “Por isso, desenhamos as formas da passarela e da torre simplesmente respeitando e respondendo ao esquema já proposto pelas árvores e paisagem existentes. O caminho se curva e delineia rampas que sobem, descem e circundam árvores, lentamente conduzindo as pessoas através de suas copas. A torre tem o formato de uma hélice dupla e é curvada em seu meio para acomodar as árvores em volta. Esse gesto simples é capaz de emoldurar com perfeição a floresta e suas belezas naturais”, celebra.

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Em uma ode ao pensamento Modernista/Niemeyeriano, o caminho é composto por rampas (sem nenhum degrau), de modo que o acesso esteja facilitado a todos, independentemente da condição física de cada um. O maior desafio, nesse caso, foi o de suavizar as quase 600 toneladas de aço, de modo a atingir uma estética funcional, leve, elegante e, claro, que coubesse dentro do orçamento – a trupe do Effekt teve que queimar alguns neurônios para fazer uso de materiais padronizados da indústria e obter, ainda assim, um resultado final sob medida.

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“A forma de ampulheta da torre é obtida por meio da torção de 32 tubos retos em aço”, revela. Simples assim: um giro de 120 graus em cada haste dá à luz uma estrutura totalmente fora do padrão, ao passo que ela é composta por materiais absolutamente industrializados. “Usamos somente aço envelhecido e madeira de carvalho natural. O carvalho é fornecido por produtores locais sustentáveis e utilizamos aço envelhecido nos elementos estruturais – a oxidação natural forma uma camada protetiva de ferrugem que dialoga perfeitamente com as cores da floresta nos entornos”, arremata Foged. A torre tem previsão de entrega para 2018, e a passarela virá na sequência.

Effekt Architects
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