Snøhetta se atenta para relevo do solo na paisagem de laboratório de aceleração de partículas

Escritório norueguês adequou a topografia do terreno localizado em Lund, na Suécia, para minimizar a interferência no resultado das pesquisas

  • Por:Giovanna Gheller
  • Fotos:Snøhetta, Klas Andersson, ABML4, Max IV, Fojab, Inge Ove Tysnes e Felix Gerlach
  • 17 fevereiro 2017

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Estabelecido em Lund, cidade de 82 mil habitantes localizada ao sul da Suécia, o MAX IV é um laboratório de aceleração de partículas e produção de raios-x inaugurado em junho de 2016 e operado conjuntamente pelo Conselho Sueco de Pesquisa e pela Universidade da cidade. As instalações síncrotron (o equipamento cíclico responsável pela criação dos campos elétrico e magnético), compostas essencialmente por dois anéis de armazenamento, foram projetadas pelo local FOJAB Arkitekter, e ao norueguês Snøhetta coube o desenho do parque paisagístico de 19 hectares.

Situado em um cenário esverdeado por uma vegetação campestre e um relevo hoje montanhoso, o MAX IV é a primeira parte de uma transformação maior da área ao nordeste de Lund visando a converter a terra agrícola na “Cidade da Ciência”. Desde 2011, junto com cliente, consultores e desenvolvedores construtivos, o escritório de Oslo esteve trabalhando no desenvolvimento de um design paisagístico único que criasse uma solução funcional para espaço, que requeria cuidados especiais pela estrutura que comporta e pelo sítio onde está alocado.

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No local do laboratório MAX IV, em decorrência da proximidade com o tráfego da rodovia E22, vibrações no solo são comumente criadas por comprimentos de onda entre 10 m e 40 m de altura que seguem pela superfície. Quanto mais chapado o horizonte, segundo os arquitetos, mais provavelmente esses estremecimentos iriam interferir nos experimentos científicos ocorridos nos laboratórios. Essa informação orientou as estratégias dos arquitetos-paisagistas. A partir dela, calculou-se que os pré-requisitos para a adequação e para o amparo da performance do laboratório de pesquisa deveriam se sustentar sobre quatro pilares principais:

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Suavização da vibração do solo: a criação de declives seria a solução mais propícia à redução na quantidade das vibrações prejudiciais ocorridas nas imediações, detectadas por testes liderados por pesquisadores e engenheiros.

Balanço da massa: foi aderida uma estratégia de “cortar e preencher” com foco na otimização do reuso das massas escavadas no local. Isso assegura a opção de reverter a terra para uso agrícola quando o síncrotron não mais estiver no local. Ao fazer o upload de um modelo digital 3D diretamente nas escavadeiras controladas por GPS, foi possível realocar as massas a suas posições finais em uma das operações, e nenhuma massa foi transportada para fora do território.

Administração da águas pluviais: o departamento de planejamento da cidade de Lund restringe a quantidade de água autorizada a correr pelos tubos da cidade. Tanques secos e molhados são, portanto, designados para o aproveitamento da água pluvial, gerida dentro dos limites do local.

Seleção e manutenção de plantas: a descoberta de área de reserva natural na região tornou possível o uso de uma seleção de espécies naturais a ser espalhada na nova paisagem montanhosa. A estratégia de manutenção e poda inclui uma combinação de ovelhas de pastoreio e de máquinas convencionais aplicáveis à área de campo.

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Todos os cálculos para a implantação dos morros no terreno foram feitos por meio de planejamento 3D, que se baseou na extração da natureza das vibrações em valores radiais e na combinação entre conjuntos delas e entre as particularidades locais. Todos estes dados foram inseridos em um modelo digital genérico que permitiu testes contínuos de efeito do padrão na suavização das vibrações do solo.

“O passo que vai da geometria avançada à fabricação é ainda um dos maiores desafios que enfrentamos no design hoje”, dizem os profissionais do Snøhetta. “Em MAX IV, o processo foi como ter uma impressora 3D gigante produzindo o projeto em uma escala 1:1. A instalação de pesquisa de alta tecnologia, junto com a pastagem de baixa tecnologia, cria uma imagem icônica das ondas que protegem as instalações de pesquisa das vibrações. O modelo digital conta com uma interpretação analógica por meio da mão do operador de máquina e da vegetação de pradaria nativa mantida por ovelhas para contar uma história divertida e funcional dessa estrutura.”

Snøhetta
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