Código Genético parte III: arquitetos, designers e artistas que optaram por trilhar caminhos profissionais semelhantes aos dos pais, irmãos e demais familiares

O terceiro episódio da série é focado em revelar histórias de bambas do mercado que escolheram a profissão por exemplo dos pais, tios e até bisavós

  • 3 julho 2017

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Na sequência da série Código Genético, em que são traçados os graus de parentesco entre os profissionais da arquitetura, do design e das artes, em geral, a terceira parte conta a história de famílias relevantes no design brasileiro de móveis. Aqui, os caminhos que traçaram Zanine Caldas e o filho, Zanini de Zanini; a família Mallmann, da Luhome; os responsáveis pela Marupá Móveis; e o casal e filhos Schattan, da Ornare.

1. Zanine Caldas e Zanini de Zanine

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Foi a inquietude e curiosidade que levaram Zanine Caldas a desenvolver a habilidade manual que o tornaria um grande artista autodidata brasileiro. Somado isso a uma família que desde cedo o ensinou a dar valor para as coisas, o contato que conseguiu ter com os grandes modernistas no ramo da maquete como Lucio Costa, Oscar Niemeyer e Sergio Bernardes fez com que chegasse à arquitetura e ao design. Um pouco mais tarde, deu início à Móveis Z, fábrica de mobiliário em São José dos Campos, e, com o desenho industrial de peças, flutuou também pelo design. “Ele teve muita sorte de estar no momento certo em que arquitetura brasileira estava fervilhando”, comenta o filho Zanini de Zanine.

Com a criação dividida com mãe cineasta – Zanininho é também filho de Fernanda Borges –, seria inevitável que a cria não se apaixonasse pelas artes, uma vez que desde cedo teve contato com grandes trabalhos da área não só da arquitetura, mas da música, das artes plásticas e da literatura, e frequentou a casa de personalidades que então fizeram história. “Toda esta informação foi influenciadora. Ver as formas, o mundo lúdico…” O então jovem nutriu um interesse pelo mobiliário que resultou na escolha pela faculdade de desenho industrial. E garante que os pais nunca exerceram nenhum tipo de pressão ou cultivaram expectativas. “Sempre fui muito livre para escolher e foi essa liberdade que me trouxe para o design; porque eu vi que era algo tão leve, tão poderoso, tão divertido, que fez com que eu me aproximasse de forma espontânea.”

Apesar de não terem conseguido desenvolver trabalhos conjuntos (Zanine pai faleceu quando o filho entrava na faculdade), Zanini de Zanine está reeditando os desenhos de mobiliário assinados pelo progenitor, em um trabalho de garimpo de peças já existentes ou que são apenas moldes – alguns modelos já estão no mercado nas principais lojas de design do Brasil.

De pontos em comum, pai e filho compartilham da inquietação, da vontade de querer ser um ser humano melhor a cada dia e de querer aprender. Para o filho, outro aspecto importante é que ambos dedicaram olhares à identidade do País: “Eu aprendi observando o que ele observava. Meu pai via detalhes em muita coisa do artesanato, da agricultura, da carpintaria, da flora e da fauna.” Mas a História cria alguns aspectos díspares. “Meu pai não vivenciou toda esta tecnologia que temos hoje e por estes e outros aspectos acho o trabalho muito mais grandioso e desbravador”, compartilha Zanini. “Eu brinco sempre que se eu chegar aos 10% que ele fez, já vou ter tido muito sucesso. Tenho meu pé muito no chão, de que eu não sou capaz de fazer o que ele fez  porque a dimensão, a percepção, a sensibilidade e a intuição dele eram muito maior.”

Studio Zanini
studiozanini.com.br

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2. Luhome

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João Luiz Mallmann tem uma missão: ganhar o mundo do décor. A julgar por seu sobrenome, as expectativas são promissoras. Sua família, consolidada no mercado de peças em couro, hoje trabalha para a Arezzo após um currículo que passa por marcas como Hugo Boss e Tod’s.

É João quem está à frente dos negócios da Luhome, nova linha de luxo para decoração doméstica. A marca surgiu pelas ideias de Tita Mallmann, que lhe convidou para assumir a novidade. João havia estudado administração no exterior e trabalhado em bancos de investimentos antes de descobrir que, sim, o tino para decoração corre pelo sangue.

“Um diferencial da marca está na possibilidade de produzir itens únicos, combinando cores especiais, texturas de diferentes couros e peles”, diz João. Os móveis, revestidos com couro e camurça, possuem um luxo discreto e caem nas graças do mercado. Uma receita de sucesso: a mescla da oxigenação de uma geração com a expertise tradicional dos negócios em família.

Luhome
luhome.com.br

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3. Família Bianchi, Interbagno

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Já se passaram 40 anos desde quando José Luiz Bianchi criou as primeiras maçanetas com detalhes em mármore e madeira nobre que, junto a puxadores e toalheiros, futuramente o consagrariam no mercado de metais. A Interbagno surgiu com uma oferta de acessórios de banheiro luxuosos, com acabamentos refinados, e aí foi se especializando de modo a fazer com que também os filhos Luiz Augusto, Ulisses, Ricardo e Fernando de vez mergulhassem no universo do lavatório.

Luiz Augusto, o diretor comercial da marca, trabalha na empresa desde a adolescência e se formou em Direito, mas, assim como os irmãos, sempre manteve um pé nos negócios. O quarteto de administradores e economistas, a partir da experiência empírica, se tornou apto a fazer parte de toda a produção: desde a pesquisa e do desenvolvimento dos produtos até o contato com designers renomados para possíveis parcerias geradoras de desenhos autorais e inovadores.

Foi com um modo de tratar o cliente à moda antiga, com intimidade e valorização da relação interpessoal com clientes e profissionais, que o selo estabeleceu três lojas em São Paulo e 13 revendedores nas principais capitais.

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4. Marupá Móveis

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Não é preciso pensar duas vezes para descobrir a preferência da Marupá Móveis. Batizada com o nome da árvore que oferece um tipo muito utilizado de madeira, a empresa também possui profundas raízes na família que a fez nascer e crescer rumo ao sol, a ponto de ser referência no mercado de decoração brasileiro por seus móveis sob medida.
Foi em um quartinho nos cantos de uma casa paranaense que o marceneiro e empresário Reinaldo Gomes da Silva aprendeu sua profissão pela primeira vez. Ali, passava horas com seu pai, o carpinteiro Aparecido, a fazer carrinhos de rolimã, cortar tábuas e lixar peças.

O convite veio em 1986. Finalmente, filho e pai abriram uma empresa para continuar o que já faziam de graça: trabalho em madeira. Duas décadas depois, o quartinho tomou as proporções de uma indústria estendida por 12 mil metros quadrados.

Um dia, tudo isso será de Nicholas, filho de Reinaldo, neto de Aparecido. Já estudante de administração, o jovem herda o intelecto, a vontade e o sonho de seu avô, que se aposentou em 2003.

Marupá Móveis e Decoração
marupamoveis.com.br

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5. Família Schattan, da Ornare

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Foi em 1986 que Murillo e Esther Schattan deram o pontapé para o gol que seriam então os móveis de alto padrão da Ornare. Da abertura do showroom no bairro paulistano de Pinheiros para a atual localização na cobiçada alameda da decoração Gabriel Monteiro da Silva foram sete anos de muito trabalho na fábrica instalada em Cotia, no ABC. O sucesso dos negócios do casal rendeu frutos: unidade no Shopping D&D, estreia na Casa Cor, mostra na flagship, e-commerce, unidade no Rio de Janeiro e expansão do parque industrial já existente, além do aporte em outras localidades brasileiras e de fora, como Miami, Dallas e México, com coleções assinadas por Ricardo Bello Dias (diretor de arte da marca), Patrícia Anastassiadis, Marcelo Rosenbaum, Ruy Ohtake, Guto Índio da Costa, Zanini de Zanine, Arthur Casas, Mauro Lipparini, Carlo Colombo, Giangranco Vannuchi, entre outros.

Os frutos maturaram e foram colhidos também pelos herdeiros dos fundadores: Pitter (28) e Stefan (26) trazem no DNA jovem espírito de liderança nato para dar sequência aos negócios da família.

O primogênito se formou em engenharia Civil pela Universidade Mackenzie, com atuação no mercado financeiro no setor de fusão e aquisição, e na Construtora Even com incorporação e desenvolvimento e viabilidade financeiro de novos produtos. Em 2012, iniciou na Ornare assumindo os departamentos administrativo e financeiro e hoje atua também à frente da rede de franquias da marca. Há cinco anos, na sede em Cotia, fica encarregado de trazer renovações para o processo administrativo e de desenvolver novos talentos em diversas áreas da empresa.

Já o caçula se graduou em Engenharia de Produção pela Universidade Mackenzie e atuou nos mercado financeiro e imobiliário no segmento de construção de galpões industriais. Em 2014, iniciou na área de produção realizando inúmeras mudanças com a organização de processos, programas de qualidade e inovações tecnológicas.

Ornare
ornare.com.br

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