Revista Giz

02 Fev 2017 - Abr 2017

#2 | Nenhuma Nudez Será Castigada

Terra estrangeira parte 4: Seleção de escritórios gringos que fazem bonito em solo nacional

GIZ destaca os trabalhos de alguns estúdios internacionais que mapearam o Brasil com suas arquiteturas

  • Por:Giovanna Gheller, Iara Aurora e Odhara Caroline
  • 20 abril 2017

Santiago Calatrava

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Inspirado nas bromélias do Jardim Botânico, o projeto do Museu do Amanhã, no Rio de Janeiro, é assinado pelo espanhol Santiago Calatrava. A intenção dele era que o edifício fosse o mais etéreo possível, “quase flutuando sobre o mar, como um barco, um pássaro ou uma planta” – mas, para muita gente, parece mais uma lagosta mesmo. Uma das preocupações do arquiteto era integrar o prédio à paisagem ao redor. Durante seus estudos, o arquiteto pintou mais de 600 aquarelas e frequentou assiduamente o Jardim Botânico, o Parque Lage e o sítio Burle Marx. O museu tem cerca de 15.000 m2 de área construída e 18 m de altura. A área total, contando com os jardins, ciclovias, áreas de lazer externas e espelhos d’água, chega a 30.000 m2. A construção começou em novembro de 2011 e foi concluída no fim de 2015 – com três anos de atraso. calatrava.com

gmp architekten

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Projetada pelo arquiteto Ralph Amann, do escritório alemão gmp architekten, em parceria com a STADIA, de São Paulo, e os engenheiros estruturais schlaich bergermann und partner, a Arena da Amazônia se tornou um dos grandes elefantes brancos da arquitetura nacional. Entregue em 2014 com o propósito de sediar os jogos da Copa do Mundo realizados no estado, o estádio que comporta exatamente 44.400 espectadores – como previsto desde o início – só traz prejuízos financeiros para a região. No período de janeiro a dezembro de 2015, o dinheiro arrecadado com a venda de ingressos para partidas realizadas dentro do campo ultrapassou pouco mais de R$ 510 mil. Enquanto os gastos para a manutenção do espaço atingiram a casa dos R$ 6,5 milhões. O conceito para o projeto de Ralph foi criar um estádio simples, mas eficiente, e com localização especial, já que ele está instalado no eixo central de tráfego que faz ligação com o aeroporto ao centro da cidade amazonense. O arquiteto também colaborou para a reforma do estádio Mané Garrincha, em Brasília. gmp-architekten.de

Fermín Vázquez

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Um projeto de revitalização do Cais Mauá, às margens do rio Guaíba, em Porto Alegre, está em andamento. O esboço arquitetônico das edificações leva a assinatura do espanhol Fermín Vázquez, por meio do escritório b720 Arquitectos, enquanto o projeto urbanístico ficou por conta do brasileiro Jaime Lerner Arquitetos Associados. A relação entre a capital gaúcha e o rio que percorre parte de seu traçado urbano tem sido problemática: um muro foi construído na área nos anos 40, para conter as cheias do curso d’água, e na década de 1970, quando a estrutura portuária perdeu sua importância, a plataforma entrou ainda mais em declínio. O objetivo do Cais Mauá do Brasil, que venceu a concorrência para revitalização do espaço, é proporcionar as pazes entre a área e a cidade. O projeto é desenvolver o complexo em três etapas. A parte central, onde estão os armazéns clássicos, que serão revitalizados, dará espaço às atividades culturais, polo de design e decoração, hotel, terminal de passageiros e a lojas, bares e restaurantes. Ao sul, as docas vão receber três prédios comerciais e um centro de eventos nas instalações do antigo Frigorífico do Porto. Já próximo à Usina do Gasômetro, espaços revitalizados terão atividades comerciais e áreas de lazer. Um grupo, contudo, está tentando barrar as obras. Chamado de Cais Mauá de Todos, eles criticam a construção de três torres no local e uma excessiva exploração imobiliária e comercial do cais. b720.com

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