Revista Giz

03 Mai 2017 - Jul 2017

Água Viva

Pantanal: o safári fotográfico de Araquém Alcântara pela reserva natural

Considerada a maior área úmida e de água doce do planeta, GIZ faz um pequeno recorte do Pantanal e seu rico bioma pelas lentes do artista – quase uma entidade quando se tratam de safáris fotográficos pela região

  • 30 junho 2017
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Recorte inspirador da Serra do Amolar, 2015

O Pantanal Mato-grossense se debruça sobre a maior zona úmida de água doce da Terra, com extensão que compreende cerca de 140 mil km² – 65% do território no estado do Mato Grosso do Sul e 35% no Mato Grosso. Também deixa vazar uma nesga de sua área para a Bolívia e outra para o Paraguai, onde recebe o nome de “chaco”. A região é uma planície influenciada pelo rio Rio Paraguai e seus afluentes que, entre os meses de novembro e março, transbordam suas águas para levar nutrientes à fauna e flora abundantes e de beleza ímpar do entorno. A reserva natural também é reconhecida como uma das mais diversificadas pela Unesco e integra o Patrimônio Natural da Humanidade.

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Vitórias-régias no Rio São Lourenço, Mato Grosso do Sul, 2015

“Na verdade há onze tipos de pantanais na região e ainda muitas maravilhas a serem descortinadas”, revela o fotógrafo Araquém Alcântara, que frequenta o Pantanal desde 1984 e que aqui empresta o seu olhar para as fotos apresentadas neste tour-ensaio. Seja nos períodos de cheia ou seca, o destino é roteiro certo se você é amante contumaz da natureza e aprecia todas as suas formas e cores. O habitat equaciona uma fauna de 1.132 espécies de borboletas, 656 aves, 122 mamíferos, 263 peixes e 93 répteis (segundo dados do Instituto do Homem Pantaneiro). Sem contar a famosa e legendária onça-pintada – animal selvagem ícone daquelas bandas – e outros ameaçados de extinção como a arara azul ou jacaré-do-papo-amarelo.

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Onça pintada típica da região

É também quintal natural da temida cobra sucuri, que engole uma rês de gado em frações de segundos. Se o turista estiver disposto a se despir de preconceitos, vale experimentar desde manejo de gado em uma fazenda pantaneira ou se enveredar pela tradição pesqueira em procurar piranhas, dourados e pacus, ou ainda a observação de animais e pássaros até focagem noturna (avistar as espécies de hábitos notívagos), passeios de chalana, uma boa moda de viola, safári fotográfico – entre outras sugestões típicas pantaneiras. A região de grande importância turística oferta variadas opções de hospedagens, como o Refúgio Ecológico Caiman – primeira operação de ecoturismo do Pantanal Sul Matogrossense – que atende aos hóspedes mais exigentes numa completa base de integração com a natureza por meio do Complexo Sede e das confortáveis pousadas Baiazinha e Cordilheira – afinal de contas, em tempos de selfies, é muito bom também poder contemplar o destino natureba e ter acesso ao Wi-Fi enquanto se aprecia um belo pôr do sol. Tudo regado à melhor gastronomia, é claro, que valoriza ingredientes regionais como os frutos do cerrado, as carnes nobres e os peixes de rio. A terra do poeta Manoel de Barros também aplaca os turistas aventureiros e sedentos por outros encantos como a Serra do Amolar – que fica na borda oeste próxima à fronteira com a Bolívia, entre Cáceres (MT) e Corumbá (MS).

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O imponente gavião pega-macaco, Pantanal do Paiaguás, 2012

Segundo Araquém Alcântara, é impossível não citá-la quando se trata do Pantanal, por conta de seu isolamento e geografia específica encontrada apenas lá – são 80 km de extensão e elevações que chegam a pouco mais de mil metros acima do nível do mar. “O Amolar possui uma paisagem incomum, com formações rochosas compostas de montanhas, não sofre com o ciclo das águas e permanece alagado durante o ano inteiro. É uma das principais bacias hidrográficas do mundo e, atualmente, conta com trabalho de preservação do Instituto do Homem Pantaneiro, pois o lugar atrai olhares de investidores do mundo inteiro por conta de seu potencial”, finaliza Alcântara. Sim, o coração do Brasil ainda guarda um de seus santuários naturais mais sagrados e encantadores, que resiste bravamente à ação predatória da humanidade – e que assim seja.

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Vaqueiro da Fazenda Santa Tereza, Serra do Amolar, Mato Grosso, 2015

Araquém Alcântara
araquem.com.br